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23 de fevereiro de 2026

Crianças|Tecnologia e Inovação

Como proteger meninos e meninas da violência sexual on-line?

Mais da metade dos adolescentes brasileiros já enfrentou violência sexual on-line. A prevenção começa com informação, acolhimento e rede de proteção

 

A adolescência contemporânea é marcada pela hiperconectividade. Redes sociais, jogos on-line, aplicativos de mensagens e plataformas de vídeo fazem parte do cotidiano e moldam a forma como adolescentes se relacionam, aprendem e constroem identidade. Porém, junto com as oportunidades, cresce um fenômeno grave e silencioso: a violência sexual on-line.

No Brasil, o cenário é alarmante. Um levantamento do ChildFund Brasil aponta que 54% dos adolescentes já sofreram algum tipo de violência sexual na internet, com ou sem interação direta com um agressor.

A pesquisa mostra ainda outro dado preocupante: 94% dos adolescentes não sabem como denunciar situações de violência sexual on-line, o que contribui para a subnotificação e dificulta ações efetivas de proteção. Mas como mudar esse cenário?

O cenário da violência sexual on-line

A pesquisa Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet ouviu cerca de 8,5 mil jovens de 13 a 18 anos, com participação de todas as regiões do país, especialmente Nordeste e Sudeste.

Além da alta prevalência da violência, o estudo revelou fatores estruturais que ampliam a vulnerabilidade digital, como o fato de os adolescentes passarem, em média, quatro horas por dia conectados. Mas não é só isso: a maior parte desse tempo on-line ocorre no celular e fora do ambiente escolar.

Além disso, 79% das atividades de lazer nessa faixa etária são digitais. A pesquisa ainda mostra que quanto maior a idade, maior o risco de exposição a violências digitais.

Esse cenário reforça que a violência sexual on-line não é um problema isolado, mas parte de uma transformação profunda na forma como adolescentes ocupam seu tempo, constroem vínculos e acessam informações.

Outro levantamento nacional também mostra a dimensão do problema: um estudo do Governo Federal e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontou que 23% das crianças e adolescentes sofreram violência sexual on-line entre 2022 e 2023, com maior incidência entre meninas e com predominância de agressores homens.

Por que adolescentes estão mais vulneráveis ?

A violência digital não acontece por um único fator. Ela é resultado da combinação entre comportamentos sociais, arquitetura das plataformas e lacunas de proteção institucional. As razões incluem:

  • Contato facilitado com desconhecidos: ferramentas de mensagens diretas permitem que predadores iniciem conversas aparentemente inofensivas, evoluindo para manipulação emocional, aliciamento ou chantagem;
  • Algoritmos e exposição precoce: conteúdos sexualizados, discursos de ódio e desafios perigosos podem ser entregues rapidamente, impactando autoestima, percepção de risco e comportamento; 
  • Cultura de validação social: a lógica de curtidas, comentários e engajamento cria pressão por exposição, muitas vezes sem avaliação das consequências; 
  • Vazamento e uso indevido de imagens: fotos e vídeos podem ser manipulados, redistribuídos ou usados para extorsão, fenômeno que cresce entre adolescentes; 
  • Baixo letramento digital: sem saber identificar riscos ou acessar canais de denúncia, muitos adolescentes tentam resolver situações sozinhos, apenas bloqueando perfis suspeitos.

Como prevenir? 

Um fator importante para mudar essa realidade é alterar a forma como os adolescentes se comportam na internet. Para isso, deve ocorrer o letramento digital, que é mais do que o conhecimento técnico da tecnologia. Ele precisa incluir, por exemplo:

  • Educação ética no ambiente digital;
  • Identificação de estratégias de aliciamento;
  • Compreensão de privacidade e segurança;
  • Passo a passo para denúncia;
  • Conhecimento sobre direitos digitais.

Vale destacar que a proteção efetiva depende da combinação entre conhecimento, acesso a canais de denúncia e resposta rápida da rede de proteção social. Por isso, os adultos devem estar atentos, mantendo uma escuta ativa e diálogo constante.

Em primeiro lugar, é preciso fortalecer a comunicação, criando um ambiente de confiança. Isso aumenta as chances de adolescentes relatarem situações de risco logo no início.

Outra dica é fazer co-navegação. No entanto, isso não significa vigiar. Mas orientar e construir autonomia com segurança. Os adultos também devem ficar atentos a sinais de alerta, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo, vergonha ou queda na autoestima, por exemplo. 

Além disso, é papel do adulto estabelecer limites saudáveis do uso da internet por crianças e adolescentes. Para isso, defina horários, incentive atividades off-line e priorize a convivência familiar e comunitária. 

Por fim, conte com apoio especializado. Profissionais como psicólogos, educadores e especialistas em educação digital podem apoiar famílias e jovens em situações de risco.

O papel do Ramacrisna no enfrentamento da violência sexual on-line

No Instituto Ramacrisna, a proteção de crianças e adolescentes é tratada como prioridade. A instituição oferece acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento especializado para casos de suspeita ou confirmação de violência sexual.

Entre as ações desenvolvidas está o Se Cuida Jovem, que oferece atendimentos psicológicos aos adolescentes do projeto de Aprendizagem. Só em 2025, o Instituto realizou 1.511 atendimentos psicológicos, sendo 587 atendimentos para adolescentes e jovens dos projetos Aprendiz Ramacrisna e Orquestra Filarmônica Ramacrisna.

Garantir uma adolescência conectada e segura não é apenas um desafio tecnológico, é um compromisso social com o presente e o futuro das novas gerações. Faça sua parte. Entre em contato e saiba como apoiar essa e outras iniciativas.

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