Crianças|Tecnologia e Inovação
Mais da metade dos adolescentes brasileiros já enfrentou violência sexual on-line. A prevenção começa com informação, acolhimento e rede de proteção
A adolescência contemporânea é marcada pela hiperconectividade. Redes sociais, jogos on-line, aplicativos de mensagens e plataformas de vídeo fazem parte do cotidiano e moldam a forma como adolescentes se relacionam, aprendem e constroem identidade. Porém, junto com as oportunidades, cresce um fenômeno grave e silencioso: a violência sexual on-line.
No Brasil, o cenário é alarmante. Um levantamento do ChildFund Brasil aponta que 54% dos adolescentes já sofreram algum tipo de violência sexual na internet, com ou sem interação direta com um agressor.
A pesquisa mostra ainda outro dado preocupante: 94% dos adolescentes não sabem como denunciar situações de violência sexual on-line, o que contribui para a subnotificação e dificulta ações efetivas de proteção. Mas como mudar esse cenário?
A pesquisa Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet ouviu cerca de 8,5 mil jovens de 13 a 18 anos, com participação de todas as regiões do país, especialmente Nordeste e Sudeste.
Além da alta prevalência da violência, o estudo revelou fatores estruturais que ampliam a vulnerabilidade digital, como o fato de os adolescentes passarem, em média, quatro horas por dia conectados. Mas não é só isso: a maior parte desse tempo on-line ocorre no celular e fora do ambiente escolar.
Além disso, 79% das atividades de lazer nessa faixa etária são digitais. A pesquisa ainda mostra que quanto maior a idade, maior o risco de exposição a violências digitais.
Esse cenário reforça que a violência sexual on-line não é um problema isolado, mas parte de uma transformação profunda na forma como adolescentes ocupam seu tempo, constroem vínculos e acessam informações.
Outro levantamento nacional também mostra a dimensão do problema: um estudo do Governo Federal e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontou que 23% das crianças e adolescentes sofreram violência sexual on-line entre 2022 e 2023, com maior incidência entre meninas e com predominância de agressores homens.
A violência digital não acontece por um único fator. Ela é resultado da combinação entre comportamentos sociais, arquitetura das plataformas e lacunas de proteção institucional. As razões incluem:
Um fator importante para mudar essa realidade é alterar a forma como os adolescentes se comportam na internet. Para isso, deve ocorrer o letramento digital, que é mais do que o conhecimento técnico da tecnologia. Ele precisa incluir, por exemplo:
Vale destacar que a proteção efetiva depende da combinação entre conhecimento, acesso a canais de denúncia e resposta rápida da rede de proteção social. Por isso, os adultos devem estar atentos, mantendo uma escuta ativa e diálogo constante.
Em primeiro lugar, é preciso fortalecer a comunicação, criando um ambiente de confiança. Isso aumenta as chances de adolescentes relatarem situações de risco logo no início.
Outra dica é fazer co-navegação. No entanto, isso não significa vigiar. Mas orientar e construir autonomia com segurança. Os adultos também devem ficar atentos a sinais de alerta, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo, vergonha ou queda na autoestima, por exemplo.
Além disso, é papel do adulto estabelecer limites saudáveis do uso da internet por crianças e adolescentes. Para isso, defina horários, incentive atividades off-line e priorize a convivência familiar e comunitária.
Por fim, conte com apoio especializado. Profissionais como psicólogos, educadores e especialistas em educação digital podem apoiar famílias e jovens em situações de risco.
No Instituto Ramacrisna, a proteção de crianças e adolescentes é tratada como prioridade. A instituição oferece acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento especializado para casos de suspeita ou confirmação de violência sexual.
Entre as ações desenvolvidas está o Se Cuida Jovem, que oferece atendimentos psicológicos aos adolescentes do projeto de Aprendizagem. Só em 2025, o Instituto realizou 1.511 atendimentos psicológicos, sendo 587 atendimentos para adolescentes e jovens dos projetos Aprendiz Ramacrisna e Orquestra Filarmônica Ramacrisna.
Garantir uma adolescência conectada e segura não é apenas um desafio tecnológico, é um compromisso social com o presente e o futuro das novas gerações. Faça sua parte. Entre em contato e saiba como apoiar essa e outras iniciativas.