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Mitos e verdades sobre captação de recursos e doações no Brasil

Em um país com milhares de organizações e instituições sociais, é comum que mitos e verdades sejam compartilhados sobre o Terceiro Setor e a cultura de captação de recursos e doações no Brasil.

Obter renda e conseguir o apoio de pessoas e parceiros é um dos maiores desafios para que as ONGs mantenham seus serviços ativos.

A diversidade do campo social brasileiro, com realidades distintas que passam por organizações muito bem estruturadas até a mobilização individual para defender alguma pauta com renda própria ou ajuda de amigos, gera visões distorcidas do real.

São análises pré-concebidas construídas ao longo da vida, seja pelo que escutamos desde nossa infância ou por ideias que vão se espalhando sem controle.

Pensando em ajudar a reverter esse cenário, a organização Nossa Causa, em parceria com a Mobilize, desenvolveu um e-book listando os sete maiores mitos e verdades sobre a captação de recursos e a cultura de doação no Brasil.

O material foi formulado após um estudo feito pelas mesmas sobre o Impacto da Covid-19 nas OSCs brasileiras. A pesquisa, com quase 1.800 participantes, apontou que 73% das organizações sofreram com a diminuição nos recursos, além de dificuldades de comunicação com os públicos, perda de voluntários ativos, estresse e sobrecarga das equipes.

O guia foi criado para ajudar a desmistificar ideias equivocadas que afetam ainda mais o trabalho de instituições sérias, como o Instituto Ramacrisna. Confira!

Mitos

  1. Brasileiros não doam

Apesar de termos um sistema de doação menos desenvolvido, comparado a países que têm uma cultura filantrópica mais antiga como os EUA, pesquisas apontam que os brasileiros doam e que os números são maiores que se imagina.

A doação no Brasil é mais centrada em atender necessidades assistenciais e ajudar os mais vulneráveis do que em justiça social e desenvolvimento. A mobilização de mais de R$ 6 bilhões durante a pandemia, registrada pelo monitor de doações da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) é uma das provas de que os brasileiros doam e querem colaborar com causas sociais.

  1. Captar recursos é captar dinheiro

É comum pensarmos que captar recursos é a mesma coisa que mobilizar as pessoas a doarem dinheiro. No entanto, isso é um mito, uma vez que para resolver problemas sociais é necessário todo tipo de recurso: financeiro (dinheiro), humano (talento e voluntariado), materiais (alimentos, roupas, insumos para construção) e imateriais (criatividade, influência). 

Eles podem vir de inúmeras formas e, muitas vezes, uma pessoa que não está disposta a oferecer recursos financeiros pode oferecer capacidade de influência, recursos materiais ou tempo. 

  1. Para captar recursos é preciso conhecer pessoas ricas

Esse é considerado um dos maiores mitos sobre o setor. Captar recursos envolve criar uma rede com muitas pessoas doando e nem sempre a contribuição vem dos ricos. 

Muitas vezes, as pessoas começam doando pouco e são próximas ou conectadas ao problema que você pretende resolver: familiares, amigos, colegas de trabalho, o comércio do bairro e assim por diante.

Se o trabalho for bem feito e os resultados atingidos com as doações começarem aparecer, pode-se criar círculos de influência, alcançando doadores com renda alta.

  1. Somente OSCs famosas captam recursos

Ter uma marca forte e reconhecida é importante, mas não é fundamental para começar a captar recursos. Pessoas doam porque querem fazer a diferença no mundo. Organizações como Greenpeace, Médicos Sem Fronteiras, GRAACC, Doutores da Alegria também começaram do zero e com apenas uma ideia.

Ou seja, não ter uma marca famosa não é um impedimento para começar a captar recursos. É possível começar com o que você tem à disposição.

  1. Só é possível captar recursos com a elaboração de projetos 

Existem diversas formas de captar recursos e elaborar projetos para editais é apenas uma delas. Uma organização social pode aplicar projetos em editais, escrever cartas/e-mails com pedidos de doação, fazer pedidos em conversas presenciais, criar campanhas em plataformas de crowdfunding, realizar eventos, entre outras possibilidades.

  1. É necessário ter um especialista em captação de recursos para começar a captar 

Essa figura do captador de recursos externo é uma invenção brasileira e um dos maiores mitos que bloqueiam o potencial de captação para causas sociais. As organizações sociais podem e devem buscar seu próprio apoio, seja por meio de uma equipe de captação, criando ações, estudando sobre o assunto ou construindo relações de longo prazo e a proximidade com seus possíveis doadores.

  1. Fatos e estatísticas são suficientes para mobilizar doações no Brasil

Gerar evidências racionais para mobilizar doadores é importante, mas não é o suficiente. As pessoas se mobilizam mais por histórias de transformação do que por fatos e evidências.

Empresas e fundações que podem apoiar uma instituição ou causa também são feitas de pessoas. Por isso, nunca se deve desconsiderar o fator emocional na interação com doadores ou investidores sociais. No final das contas, a decisão final é de um ou um grupo de seres humanos e as emoções influenciam.

Verdades

  1. Ninguém doa se não houver solicitação

É comum o receio de pedir ajuda para algum movimento. Porém, sem a iniciativa de buscar os recursos, o fluxo de troca não acontece. As pessoas e empresas não doam se não forem solicitadas. 

Por isso, é essencial divulgar suas campanhas e ações de captação de recursos e doação. Quanto mais você solicitar, maior a chance de chegar aos resultados esperados. 

  1. Em um processo de doação, ambos os lados ganham 

Fazer o bem não tem preço e todos ganham, seja quem recebe ou quem faz. O ato de doar traz uma enorme sensação de bem-estar e gera prazer, sentimento de pertencimento e realização pessoal e espiritual para quem contribui.

Ao oferecer oportunidades das pessoas ou instituições contribuírem para uma causa, a organização permite que os doadores também se tornem importantes para a comunidade, sendo responsáveis por proporcionar transformações sociais. Deste modo, ambos os lados oferecem e recebem.

  1. É preciso escutar antes de falar 

As pessoas doam quando são mobilizadas por algo que as toca intimamente. Por isso, ouvir, compreender seu doador antes de oferecer algo é fundamental. A pior sensação para quem doa é ser visto apenas como um caixa eletrônico.

  1. A gratidão precede a doação 

Algumas culturas costumam associar a doação com o termo “give back”, ou seja “dar de volta”. Esse ato demonstra que, muitas vezes, a doação é um símbolo de gratidão pelo que foi dado por uma organização, por uma comunidade ou por uma pessoa. Deste modo, quem recebe alguma ajuda, tem o sentimento de fazer o mesmo pelo próximo. Ou seja, pessoas gratas doam mais. 

  1. OSCs podem oferecer muito antes de pedir

As organizações sociais também podem oferecer muitos benefícios a um apoiador antes de solicitar uma doação. Oportunidades de relacionamento, melhoria na imagem do seu negócio e impacto social de qualidade são alguns dos pontos que uma parceria pode agregar ao doador. 

Leia mais >>> Porque empresas devem fazer parcerias com ONGs

  1. Captação de recursos é um trabalho em equipe 

Um dos desafios quando se cria uma área profissional de captação de recursos em uma organização é achar que os resultados de captação de recursos serão exclusivos da área.

No entanto, é um trabalho entre equipes, desde quem constrói o projeto até os colaboradores e funcionários do local, que ajudam a manter a imagem positiva da organização, apoiam as causas e se dedicam a ela. 

Todos têm uma parte importante na captação de recursos, seja trazendo ideias de possíveis financiadores ou simplesmente realizando um trabalho de excelência. 

  1. Pessoas doam para pessoas

Entender que o ato de doação é um ato que se faz de pessoa para pessoa é uma chave fundamental para o processo de captação de recursos. São seres com paixões, necessidades, interesses próprios, necessidades e histórico de vida ou de realizações. 

Por isso, é comum que um doador escolha uma organização para apoiar que tenha pessoas com quem se identifica e confia, a quem atribui os resultados e a credibilidade. 

O e-book traz, ao final dos tópicos, um momento de reflexão, com questões para que você perceba, individualmente, a influência desses mitos e verdades na sua vida. Clique aqui para baixar o material e ter acesso a todo o conteúdo. 

Está em busca de uma organização social para apoiar? Conheça o trabalho do Instituto Ramacrisna e as formas de apoiar nossos projetos e iniciativas!

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