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25 de julho de 2022

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Qual o papel do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)?

Criado em 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) representa um marco histórico na legislação brasileira ao consolidar a doutrina da proteção integral. 

 

Pela primeira vez, a infância e a adolescência passaram a ser tratadas como prioridades absolutas, com garantia de direitos civis, sociais e individuais. 35 anos depois, o ECA continua sendo a principal base legal na defesa dos direitos de pessoas com menos de 18 anos, mesmo diante de novos desafios sociais, tecnológicos e econômicos.

O Estatuto foi inspirado na Constituição de 1988 e fundamentado na Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU. Ele substituiu o antigo Código de Menores, criado durante a ditadura militar, que tratava crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade sob a ótica da repressão e da vigilância. 

Ou seja, a partir dele, estabeleceu-se a ideia de que o desenvolvimento infantil deve acontecer em condições de liberdade, dignidade e respeito, com acesso à educação, à saúde, ao lazer, à cultura, entre outros direitos fundamentais.

Avanços e desafios do ECA 

Entre os principais avanços promovidos pelo ECA está a implantação de mais de 6 mil Conselhos Tutelares em todo o Brasil, além da criação do Sistema de Garantia de Direitos (SGD), que articula o trabalho de diversas instâncias do poder público e da sociedade civil. 

Nos últimos anos, legislações complementares como a Lei da Escuta Protegida, a Lei Henry Borel e a Lei da Palmada também fortaleceram a atuação do Estatuto, ampliando o escopo da proteção infantil.

No entanto, dados recentes mostram que ainda há muitos desafios para que o ECA seja plenamente cumprido. Segundo o relatório “Cenário da Infância e Adolescência 2025“, publicado pela Fundação Abrinq, cerca de 46,5% das crianças com até seis anos vivem em situação de pobreza no Brasil. 

Desse total, mais de 16% estão em pobreza extrema, o que evidencia desigualdades estruturais profundas que impactam diretamente o acesso a direitos básicos.

Além disso, o Senado Federal e o Governo Federal promoveram audiências públicas em julho de 2025 para debater os impactos da era digital na infância. Um dos temas mais discutidos foi o aumento de casos de cyberbullying, além da exposição excessiva de crianças às telas. 

Essas novas formas de vulnerabilidade estão fora do escopo original do ECA e exigem atualizações legislativas. Propostas como o Projeto de Lei 4773/2023, que trata da regulamentação do uso de redes sociais por menores de idade, estão em discussão no Congresso.

O papel do terceiro setor e da sociedade civil

As organizações sociais têm papel decisivo na efetivação dos princípios do ECA, especialmente em territórios marcados por desigualdade e exclusão. 

Nos últimos dois anos, iniciativas do Terceiro Setor, como o Instituto Ramacrisna, têm sido fundamentais na complementação das políticas públicas. Por meio de projetos que garantem acesso à educação, alimentação, cultura, esporte e profissionalização, essas organizações atuam onde o Estado não alcança, promovendo o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes.

Durante a semana comemorativa dos 35 anos do ECA, em julho de 2025, o Governo Federal anunciou um pacote de ações com foco na primeira infância, incluindo cooperações técnicas com universidades e organizações internacionais, como o PNUD. 

Foram lançadas diretrizes para fortalecimento dos Conselhos Tutelares, melhoria da formação de profissionais e desenvolvimento de estratégias de escuta protegida e acolhimento humanizado.

Proteger é investir 

Fortalecer o ECA significa não apenas garantir direitos hoje, mas construir um país mais justo, produtivo e igualitário no futuro.

A proteção integral de crianças e adolescentes é uma responsabilidade compartilhada entre o Estado, a família e toda a sociedade. 

Por isso, é essencial que todos os setores se mobilizem para que os direitos previstos no ECA sejam realidade em todos os territórios do Brasil. 

Ao completar 35 anos, o Estatuto reafirma sua atualidade e urgência, exigindo comprometimento, investimento e ação concreta para que nenhum menino ou menina seja deixado para trás.

Seja você também um instrumento de transformação. Saiba como doar.

 

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