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30 de julho de 2026

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Por dentro do Ramacrisna: como o xadrez para crianças transformou a história de Maria Eduarda Reis

Aos 10 anos, aluna do NAVE Ramacrisna coleciona medalhas, compete com adultos e encontrou no xadrez uma ferramenta para superar desafios emocionais

 

O xadrez para crianças é muito mais do que um jogo de estratégia, ele estimula o raciocínio lógico, a concentração, a disciplina e o equilíbrio emocional. Dessa forma, o esporte contribui para o desenvolvimento integral das crianças. Quando aliado a um ambiente de acolhimento e oportunidades, o esporte pode transformar histórias e abrir novos caminhos para o futuro.

Foi exatamente isso que aconteceu com Maria Eduarda Reis, de 10 anos. Aluna do NAVE Ramacrisna (Núcleo de Aprendizagens e Vivências Essenciais), Duda, como é chamada carinhosamente por todos, descobriu no xadrez um talento que a levou a conquistar medalhas e competir até com adultos. Mas a conquista vai muito além das medalhas, ela encontrou no esporte um espaço de acolhimento, tranquilidade e crescimento pessoal, transformando a forma de lidar com a ansiedade e de enxergar o próprio futuro.

Conheça a história a seguir. 

Muito além das medalhas

A história de Duda com o Instituto Ramacrisna começou por influência da própria mãe, Josiane Reis. Ex-aluna da instituição, ela conhecia o impacto das atividades oferecidas e decidiu matricular a filha no NAVE Ramacrisna. Até então, a ideia era proporcionar novas experiências, ocupar o contraturno escolar e ampliar as oportunidades de desenvolvimento da menina.

Mas Josiane não imaginava que a filha teria um talento especial para o xadrez. “Eu só fiquei sabendo que ela jogava quando apareceu um campeonato. Ela chegou em casa e disse: ‘Mãe, tem um campeonato para eu ir’. Eu nem sabia que ela treinava”, relembra.

A surpresa ficou ainda maior quando Maria Eduarda voltou para casa com a medalha de segundo lugar logo na primeira competição. Para Josiane, aquele momento mostrou que a filha havia encontrado uma atividade com a qual realmente se identificava.

Desde então, Maria Eduarda nunca mais parou de competir.

Um tabuleiro onde ela encontra paz

Ao longo dos últimos quatro anos,  a menina acumulou conquistas em diversos campeonatos e passou a enfrentar enxadristas de diferentes idades, até mesmo adultos.

Mas, além dos troféus, a menina também teve várias conquistas fora dos tabuleiros. Quando Duda tinha cinco anos, passou por um momento delicado com a ausência do pai, situação que desencadeou crises frequentes de ansiedade. Mas a entrada no NAVE Ramacrisna e, consequentemente, na oficina de xadrez, ajudou a mudar esse cenário.

“O xadrez fez ela se concentrar em outra coisa. Ela participa de muitos campeonatos, treina bastante e isso ocupa a mente dela. As crises de ansiedade reduziram entre 80% e 90%”, conta a mãe. Ela explica que a dedicação ao esporte trouxe novos objetivos para a filha, diminuindo o tempo dedicado aos pensamentos relacionados à ausência paterna e fortalecendo seu equilíbrio emocional.

Se para muitos o xadrez é um jogo complexo, para Maria Eduarda ele representa tranquilidade. De acordo com a mãe, quando perguntada sobre o que sente ao jogar, a resposta da menina é simples: paz.

Mas esse sentimento não é restrito ao jogo. Mesmo tendo sido sempre dedicada aos estudos, Duda passou a desenvolver ainda mais habilidades importantes, como concentração, planejamento, resolução de problemas e pensamento estratégico, por exemplo.

Competências que fazem parte do cotidiano do xadrez e que acompanham os alunos também dentro da sala de aula. O esporte também a ajudou a diminuir a timidez, facilitando a comunicação e a forma como se expressa diante de outras pessoas. 

Aulas de xadrez para crianças

Desde 2016, o Instituto Ramacrisna mantém um projeto permanente de xadrez para crianças e adolescentes estudantes do NAVE Ramacrisna. Ao todo, mais de 160 crianças e adolescentes participam das aulas. Além disso, o Instituto mantém uma equipe de competição que representa o Instituto em torneios municipais, estaduais e nacionais.

As aulas vão muito além do ensino das regras do jogo. A metodologia busca desenvolver competências como, por exemplo:

  • raciocínio lógico;
  • concentração;
  • planejamento;
  • tomada de decisão;
  • autocontrole emocional;
  • respeito às regras;
  • ética esportiva;
  • comunicação;
  • resiliência.

Todo o trabalho é conduzido pelo professor Bruno Jacomini, árbitro nacional pela Confederação Brasileira de Xadrez e instrutor credenciado pela Federação Mineira de Xadrez. Desde a chegada  do profissional ao Ramacrisna, em 2016, o projeto conquistou importantes resultados esportivos, incluindo títulos estaduais por equipes e medalhas em competições como os Jogos Estudantis de Betim, Circuito Mineiro de Xadrez Escolar e Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG).

Oportunidades além do xadrez para crianças

O NAVE Ramacrisna não se resume ao  xadrez. A iniciativa, desenvolvida pelo Instituto Ramacrisna desde 1992 para crianças e adolescentes da rede pública de ensino, disponibiliza de forma totalmente gratuita, uma formação complementar no contraturno escolar, com atividades que estimulam diferentes dimensões do desenvolvimento.

Entre elas estão letramento, inclusão digital, robótica e programação, oficinas culturais, incentivo à leitura, atividades esportivas, alimentação diária acompanhada por equipe nutricional e uma estrutura completa para aprendizagem. Assim, essa formação integrada permite que cada criança descubra seus talentos e desenvolva habilidades para construir um futuro com mais oportunidades.

A história de Maria Eduarda mostra que o verdadeiro valor do xadrez não está apenas em vencer partidas. Cada jogada representa uma decisão, um aprendizado, uma oportunidade de desenvolver equilíbrio emocional, disciplina e confiança.

Ajude a transformar a história de mais crianças e adolescentes por meio do xadrez. Entre em contato e saiba como colaborar.

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