Apesar de reconhecerem o diálogo como melhor caminho, uma pesquisa mostra que brasileiros ainda naturalizam tapas e outras formas de violência na educação infantil
Educar uma criança envolve ensinar limites, transmitir valores e ajudá-la a compreender as consequências de suas atitudes. Mas, no Brasil, práticas violentas ainda são confundidas com formas de educação. Uma pesquisa recente mostra que 50% dos brasileiros consideram aceitável dar tapas em crianças como forma de punição, revelando como a violência física ainda é naturalizada dentro de muitas famílias.
O levantamento “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes”, realizado pela Quaest em parceria com o Infinis (Instituto Futuro é Infância Saudável), ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais. Os dados mostram que, embora a conversa seja reconhecida como uma das melhores formas de educar, existe uma distância entre o que a sociedade considera ideal e aquilo que ainda pratica ou tolera.
A pergunta como educar sem bater passa, antes de tudo, pela compreensão de que crianças e adolescentes estão em processo de desenvolvimento. Elas precisam de orientação para entender regras, limites e responsabilidades, mas isso não significa que a violência seja necessária.
Gritar, bater, puxar a orelha ou humilhar não ensinam a criança a lidar melhor com conflitos. Pelo contrário, podem transmitir a ideia de que a força é uma maneira legítima de resolver problemas. A educação baseada no diálogo permite explicar o motivo de uma regra, ouvir a criança e estabelecer consequências coerentes para comportamentos inadequados.
Isso não significa ausência de limites. Uma convivência saudável também depende de regras claras, rotina, respeito mútuo e adultos capazes de manter firmeza sem recorrer à agressão.
A proteção contra a violência não é apenas uma questão de escolha familiar. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e devem receber proteção integral.
A legislação também determina que a é dever da família, sociedade e Estado garantir esses direitos. Por isso, a ideia de que “cada um educa seu filho como quiser” não deve servir para justificar agressões.
A pesquisa reforça esse desafio: 62% dos entrevistados afirmaram que prefeririam não interferir ao presenciar uma criança apanhando ou levando puxões de orelha em público. Entre eles, 32% disseram que não fariam nada porque “cada um sabe da própria vida”, enquanto 30% gostariam de intervir, mas ficariam constrangidos.
Aprender como educar sem bater é, portanto, uma tarefa que envolve toda a sociedade. Pais, responsáveis, educadores e outros adultos que convivem com crianças e adolescentes podem contribuir para substituir práticas violentas por estratégias baseadas em escuta, acolhimento e orientação.
Brincadeiras, conversas, combinados e atividades compartilhadas também são ferramentas importantes para fortalecer vínculos. Um ambiente baseado em respeito e segurança pode favorecer a aprendizagem, a expressão de sentimentos e o desenvolvimento da autonomia.
Educar não significa controlar pelo medo. Significa preparar crianças e adolescentes para conviver, fazer escolhas e compreender limites. Romper com a ideia de que bater é educar é um passo importante para construir uma infância mais protegida, respeitosa e saudável.
Promover uma educação baseada no diálogo, no respeito e na convivência saudável também significa contribuir para que crianças e adolescentes desenvolvam autonomia, fortaleçam vínculos e encontrem caminhos para lidar com desafios e conflitos sem recorrer à violência.
Essa transformação não acontece de forma isolada. Ela depende de uma rede de proteção formada por famílias, escolas, organizações sociais, poder público e toda a comunidade que compartilham a responsabilidade de garantir direitos e criar oportunidades para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
É nesse compromisso com a educação e o desenvolvimento humano que se insere a atuação do do Instituto Ramacrisna. Por meio de projetos voltados à educação, à formação, à cultura, ao esporte e à convivência, a instituição contribui para fortalecer vínculos e ampliar oportunidades para crianças, adolescentes e jovens.
Mais do que oferecer atividades, esses espaços ajudam a construir ambientes de aprendizagem, convivência e desenvolvimento, nos quais crianças e adolescentes podem ser ouvidos, respeitados e estimulados a desenvolver suas potencialidades.
Afinal, educar também é criar condições para que crianças e adolescentes cresçam com seus direitos respeitados, tenham oportunidades e possam construir uma trajetória de desenvolvimento e autonomia.
Quer contribuir para essa transformação? Conheça o trabalho do Instituto Ramacrisna e descubra como apoiar nossas iniciativas em educação, desenvolvimento e proteção de crianças e adolescentes. Saiba como ajudar.