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Ex-aluno do Instituto Ramacrisna, Lucas encontrou no esporte uma oportunidade de transformação pessoal e profissional
O esporte e inclusão social caminham juntos quando crianças e adolescentes encontram oportunidades para desenvolver talentos, fortalecer a autoestima e enxergar novas possibilidades para o futuro. No Instituto Ramacrisna, em Betim (MG), histórias como a de Lucas Matheus de Farias mostram como projetos sociais podem impactar vidas de forma profunda e duradoura.
Morador da região desde a infância, Lucas conheceu o Ramacrisna ainda pequeno, quando o tio o levava para brincar no parquinho do Instituto. Ele ainda não sabia, mas aquele espaço se tornaria um dos pilares mais importantes da formação pessoal e profissional dele.
Anos depois, incentivado por amigos da escola, Lucas ingressou no Centro de Apoio Educacional Ramacrisna (CAER) , hoje denominado como Núcleo de Aprendizagem e Vivências Essenciais (NAVE), onde participou de oficinas de artesanato, informática, marcenaria, brinquedoteca e esportes. “Minha oficina favorita era esportes. Foi a primeira vez que joguei em uma quadra estruturada. Eu estava tão feliz que saí correndo e arranquei a tampa do dedão”, relembra.
Mesmo após o acidente logo no primeiro dia, o entusiasmo pelo esporte nunca diminuiu. Pelo contrário: foi dentro das quadras do Ramacrisna que Lucas começou a desenvolver disciplina, convivência social e confiança em si mesmo.
A história de Lucas evidencia como o esporte e inclusão social podem abrir caminhos para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Mas não é apenas lazer. As atividades esportivas funcionam como instrumentos de educação, acolhimento e desenvolvimento humano.
Durante a adolescência, Lucas chegou a realizar testes em escolinhas de futebol ligadas ao Corinthians e ao América Mineiro. Na época, conciliava treinos com trabalhos informais para ajudar os avós, responsáveis por sua criação.
No entanto, com dificuldades financeiras em casa, precisou interromper os estudos e deixar temporariamente o sonho do futebol profissional de lado para priorizar o trabalho. Além disso, a perda do avô, em 2016, foi um momento decisivo nesta trajetória.”Perdi meu avô e acabei perdendo uma parte de mim. Ele me motivava e me ajudava como podia para que eu não faltasse aos treinos, mas a necessidade de ter dinheiro para ajudar em casa e comprar coisas de necessidades básica, me fez deixar o futebol de lado e focar somente no trabalho. Tive que ir trabalhar fora uma época, ficar longe da minha vó e dos meus amigos”, reflete.
Ainda assim, o vínculo com o Ramacrisna permaneceu presente. Foi no Instituto que Lucas encontrou forças para retomar os estudos, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e ingressar no curso de Soldagem oferecido gratuitamente no Ramacrisna.
A formação profissional mudou a realidade. Pouco tempo depois de concluir o curso, conseguiu o primeiro emprego com carteira assinada na área e passou a enxergar novas perspectivas para o futuro. “Comecei a trabalhar na área de solda, o curso foi um divisor de águas em minha vida, pude aprender muito e colocar em prática no mercado de trabalho, ingressando em um emprego mais tranquilo e formal, graças a oportunidade que tive. Aprendi a lidar com dificuldades, a conviver com pessoas diferentes e a desenvolver minha própria identidade. Tudo isso contribuiu para quem eu sou hoje”, afirma.
Mas Lucas não parou por aí. O ciclo de transformação ganhou um novo capítulo quando Lucas retornou ao instituto, desta vez como funcionário. Atualmente, ele atua como monitor de Educação Física e acompanha crianças e adolescentes nas oficinas esportivas – justamente as que ele mais gostava na infância.
Antes da contratação, começou como voluntário na escolinha de futebol aos sábados. A experiência despertou ainda mais a paixão pela educação e pelo esporte. “Não consegui me tornar atleta profissional, mas Deus tinha algo preparado para mim dentro do esporte”, conta.
Hoje, Lucas utiliza a própria experiência para incentivar os alunos a acreditarem em si mesmos. Para ele, o esporte pode despertar talentos, melhorar a autoestima e até ajudar na saúde mental de crianças e adolescentes. “Tem crianças que chegam acreditando que não são boas em nada. Quando começam a praticar esporte, passam a se sentir capazes, felizes e motivadas”, explica.
Além dos benefícios físicos, Lucas destaca a importância das atividades esportivas na prevenção de problemas emocionais cada vez mais comuns entre jovens, como ansiedade, depressão e isolamento social.
Projetos como os desenvolvidos pelo Instituto Ramacrisna mostram que investir em esporte e inclusão social é investir em oportunidades reais de transformação.
Através das oficinas esportivas, crianças e adolescentes aprendem sobre trabalho em equipe, respeito, disciplina e convivência. Em muitos casos, o esporte também se torna um espaço seguro de acolhimento e pertencimento.
Para Lucas, poder retribuir tudo o que recebeu do instituto é motivo de orgulho. “É como devolver para outras crianças todo o amor, cuidado e carinho que um dia recebi aqui.”
Histórias como a dele reforçam que o esporte pode ir muito além do físico. Quando aliado à educação e ao acolhimento social, ele se transforma em uma poderosa ferramenta de mudança de vida.
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