Mesmo com o avanço da participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres continuam recebendo menos que os homens. Gênero e raça aprofundam as desigualdades e reforçam a importância de ações para mudar esse cenário.
A diferença salarial entre homens e mulheres continua sendo um desafio para o mercado de trabalho brasileiro. De acordo com relatório divulgado pelo Ministério do Trabalho em 2026, a desigualdade aumentou nos últimos dois anos: as trabalhadoras recebem, em média, 21% a menos que os homens. O cenário revela que ampliar o acesso ao emprego é importante, mas não suficiente para garantir condições iguais de desenvolvimento profissional e remuneração.
Mesmo com o crescimento da presença feminina nos empregos com carteira assinada, a disparidade permanece. Entre as mulheres negras, os obstáculos são ainda maiores, demonstrando como gênero e raça se combinam na construção das desigualdades sociais e econômicas.
A desigualdade salarial tem causas que vão além da remuneração por uma mesma função. A primeira delas é a distribuição desigual das responsabilidades domésticas e dos cuidados com crianças e familiares. Outro fator que dificulta a trajetória profissional de muitas mulheres são as barreiras para alcançar cargos de liderança e a discriminação de gênero.
Os dados do relatório mostram a dimensão do problema. Enquanto o rendimento médio dos homens com carteira assinada é de R$ 5.039,68, o das mulheres é de R$ 3.965,94. Nos cargos de direção e gerência, a diferença salarial também aumentou, passando de 25% para quase 27%.
A desigualdade racial amplia esse cenário. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras cresceu 3,7%, abaixo do avanço registrado entre as mulheres em geral, de 4,8%, e entre os homens, de 5,8%. Na comparação com os homens não negros, grupo de maior rendimento médio, as mulheres negras recebiam apenas 42% do valor.
A Lei da Igualdade Salarial, em vigor desde 2023, estabelece mecanismos para combater a discriminação remuneratória entre mulheres e homens. Ainda assim, os números mostram que a legislação precisa ser acompanhada de fiscalização, transparência e mudanças efetivas nas práticas das organizações.
Conquistar a equidade exige ações contínuas de empresas, instituições de ensino, poder público e sociedade. No mercado de trabalho, isso inclui revisar critérios de remuneração e promoção, garantir oportunidades de qualificação, combater práticas discriminatórias e ampliar a presença feminina em posições de liderança.
Também é fundamental investir na educação desde a infância e incentivar meninas a explorar áreas nas quais as mulheres ainda enfrentam barreiras, como ciência, tecnologia, engenharia e matemática. O acesso ao conhecimento, à cultura e à formação profissional amplia possibilidades de escolha e fortalece a autonomia.
O Instituto Ramacrisna desenvolve iniciativas alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5), da Organização das Nações Unidas (ONU), que busca alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
O projeto Meninas em Rede, por exemplo, incentiva adolescentes a ingressarem nas áreas de tecnologia. No curso de Desenvolvimento de Sites e Aplicativos, as participantes aprendem a criar interfaces, estruturar bancos de dados e desenvolver aplicativos, ampliando suas habilidades e perspectivas profissionais.
O FabLab Ramacrisna também contribui para democratizar o acesso à tecnologia, com equipamentos de fabricação digital e oportunidades para desenvolver projetos e soluções criativas. Já a Orquestra Filarmônica Ramacrisna promove formação musical, trabalho em equipe e protagonismo feminino por meio da arte.
Na infância e na adolescência, o acesso à educação, ao esporte e à cultura também é fundamental para ampliar oportunidades e combater estereótipos de gênero. No Núcleo de Aprendizagem e Vivências Essenciais (NAVE), meninas e meninos participam de atividades de acompanhamento pedagógico, esportivas e culturais que contribuem para o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional e social. Ao oferecer diferentes possibilidades de aprendizagem, a iniciativa ajuda a fortalecer habilidades, estimular a autonomia e ampliar os horizontes de crianças e adolescentes.
Promover a equidade é criar condições para que meninas e mulheres desenvolvam seus talentos, conquistem autonomia e tenham acesso a oportunidades ao longo de toda a vida. Para conhecer as iniciativas do Ramacrisna e saber como contribuir para essa transformação, entre em contato e faça parte dessa corrente do bem.