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Após superar a perda do pai na infância, o sensei Caliton Silva encontrou no judô um propósito de vida e hoje transforma a trajetória de crianças e adolescentes no Instituto Ramacrisna
O esporte tem o poder de mudar destinos. No Instituto Ramacrisna, essa transformação pode ser vista diariamente no tatame, por meio do trabalho do sensei Caliton Silva Santos. A história de superação, dedicação e compromisso com os alunos mostra como o judô para crianças pode se tornar muito mais do que uma atividade esportiva: uma ferramenta de desenvolvimento humano.
Desde 2018, Caliton lidera o projeto de judô do Ramacrisna, em Betim (MG), ajudando crianças e adolescentes a encontrarem no esporte valores como disciplina, respeito, autocontrole e perseverança. No entanto, antes de se tornar professor e técnico, ele também foi uma criança que encontrou no esporte um caminho para enfrentar desafios e construir o próprio futuro.
Aos três anos de idade, Caliton perdeu o pai. Filho único, foi criado pela mãe, que assumiu sozinha a responsabilidade pela família. “A perda do meu pai aos três anos de idade foi algo muito marcante na minha vida, pois eu era muito apegado a ele”, relembra Caliton.
Ainda assim, criado pela mãe, ele desenvolveu desde cedo um forte senso de responsabilidade. Ao mesmo tempo, o interesse pelo esporte já fazia parte da sua vida.
Embora a idade mínima para ingressar nas aulas fosse de sete anos, a mãe insistiu diversas vezes até conseguir a matrícula quando ele tinha apenas seis anos.
A partir desse momento, o esporte passou a fazer parte da sua rotina. Sozinho, pegava ônibus do bairro onde morava até o centro de Betim para treinar. Além disso, a confiança da mãe e os ensinamentos recebidos durante esse período ajudaram a construir a autonomia e a disciplina que o acompanhariam ao longo da vida.
Além do judô, Caliton também se destacou no futebol. Aos 11 anos, passou em um teste do Atlético Mineiro, clube pelo qual torce desde criança. No entanto, precisou escolher qual caminho seguir. Ao final, a decisão foi pelo judô.
Segundo o sensei, a modalidade o transformou em todas as etapas da vida. O esporte ensinou valores, proporcionou experiências e ajudou a construir a identidade. “Um esporte que me transformou em todas as etapas da minha vida. Sou muito grato ao Sr. Judô.”, afirma.
Anos depois, a paixão pelo esporte levou Caliton a liderar o projeto de judô para crianças do Ramacrisna. O convite surgiu após alguém do Instituto encontrar o currículo dele em uma página de empregos.
Na época, ele conciliava a carreira de atleta com a atuação como professor e possuía apenas o ensino médio e a faixa preta de judô. Ao longo dos anos, conseguiu ampliar sua formação acadêmica e hoje possui quatro cursos superiores e pós-graduações. Segundo o sensei, o apoio do Instituto foi fundamental para que ele pudesse conciliar trabalho, estudos e desenvolvimento profissional. “O Instituto Ramacrisna foi um divisor de águas na minha vida. Todo atleta sonha em participar de um projeto capaz de impulsionar a vida de crianças e adolescentes por meio do esporte”, reflete.
A oficina de Judô atende alunos entre 6 e 17 anos, participantes do NAVE – Núcleo de Aprendizagem e Vivências Essenciais (antigo CAER), utilizando o esporte como instrumento de inclusão e desenvolvimento. As aulas são organizadas de acordo com a idade e o nível técnico dos participantes. Enquanto os alunos mais novos trabalham coordenação motora, raciocínio lógico e convivência em grupo, os mais experientes aprofundam os fundamentos técnicos do judô, o preparo físico e o autocontrole.
Assim, mais do que ensinar golpes e técnicas, o projeto promove valores como empatia, respeito, resiliência e superação.
Além da formação humana, os estudantes também têm se destacado nas competições. A equipe foi campeã geral dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) no Módulo I, tanto no masculino quanto no feminino. Desde então, os atletas do projeto já conquistaram mais de 90 medalhas em torneios municipais, estaduais e nacionais.
Em 2024, o Instituto alcançou um marco importante ao conquistar suas primeiras medalhas na etapa nacional dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), realizados no Recife. Na ocasião, os atletas Ray Lucas Matos de Araújo, Isabela Rodrigues Pereira e Nicoly dos Santos Pereira conquistaram medalhas em competições nacionais, demonstrando o potencial dos jovens atendidos pelo projeto.
Além disso, atletas do Ramacrisna estão entre os dez melhores do país em competições da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Da mesma forma, alunos recebem incentivos de programas como o Bolsa Atleta, tanto em âmbito estadual quanto federal. “Quando olho para nossos alunos, vejo muito esforço, comprometimento, dedicação e felicidade”, pontua.
Para Caliton, atuar como professor e técnico é uma grande responsabilidade. Cada treino representa uma oportunidade de ensinar, orientar e inspirar. Seu maior desejo é que cada criança e adolescente continue acreditando em si e seja capaz de enfrentar os desafios da vida.
“Acredito que o nosso verdadeiro sucesso é medido pela quantidade de pessoas que conseguimos levantar e transformar ao longo do nosso caminho”, avalia.
Essa filosofia está presente em cada aula realizada no Instituto Ramacrisna. Dessa maneira, o judô se torna uma ferramenta de cidadania, educação e esperança.
Isso porque a história do sensei Caliton Silva mostra que o esporte pode mudar destinos. No Instituto Ramacrisna, essa transformação acontece todos os dias, dentro e fora do tatame.
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