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Pesquisa mostra que 82% dos brasileiros com transtornos mentais relacionam o adoecimento às dificuldades financeiras; educação e trabalho podem ajudar a transformar esse cenário
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio, falar sobre saúde também significa olhar para as condições de vida da população. Entre elas, a situação financeira pode ter um impacto importante. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, mostra que 82% dos brasileiros diagnosticados com transtornos mentais apontam problemas financeiros como um dos fatores relacionados ao adoecimento.
O levantamento ouviu 1.000 brasileiros com diagnóstico formal de ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout. Para 27%, as dificuldades financeiras foram a causa exclusiva do adoecimento. Outros 32% apontaram as finanças como causa predominante, enquanto 22% as classificaram entre os principais fatores.
A relação entre saúde mental e problemas financeiros aparece em diferentes situações do cotidiano. Entre os entrevistados, 69% citaram a dificuldade para pagar contas básicas, 61% mencionaram dívidas, 54% relataram renda insuficiente para as necessidades do dia a dia e 31% apontaram o desemprego como um dos desafios enfrentados.
Na pesquisa, as dificuldades financeiras foram apontadas como o principal gatilho para o surgimento dos transtornos por 34% dos participantes, superando fatores como problemas relacionados ao trabalho, relacionamentos, separação, doenças e luto.
O cenário mostra que a insegurança econômica pode ultrapassar a preocupação com números na conta bancária. A dificuldade de garantir necessidades básicas, lidar com dívidas ou encontrar trabalho pode gerar preocupação constante e sensação de instabilidade.
Isso não significa, porém, que os problemas financeiros sejam a única causa dos transtornos mentais. O adoecimento é complexo e pode envolver diferentes fatores sociais, psicológicos e individuais. Por isso, buscar ajuda profissional diante de sofrimento emocional é fundamental.
A pesquisa também chama atenção para a importância da educação financeira. Quase metade dos entrevistados (48%) nunca havia buscado orientação profissional sobre o tema. Por isso, especialistas apontam que o conhecimento financeiro deve começar ainda na formação de crianças e jovens e envolver escolhas, planejamento e responsabilidade.No Instituto Ramacrisna, esse trabalho acontece por meio de iniciativas que aproximam formação, desenvolvimento de habilidades e acesso ao mundo do trabalho.
Entre elas está o Aprendiz Ramacrisna, que prepara adolescentes e jovens para a primeira experiência profissional, e os cursos de qualificação, que oferecem formação em diferentes áreas e podem ampliar as possibilidades de inserção no mercado.
O Instituto também desenvolve projetos voltados à inclusão digital, empreendedorismo e desenvolvimento de competências. Ao criar oportunidades de aprendizado e trabalho, essas iniciativas contribuem para que crianças, jovens e adultos tenham mais ferramentas para construir seus projetos de vida e buscar maior autonomia.
No Setembro Amarelo, essa perspectiva ganha ainda mais importância: cuidar da saúde mental também passa por criar oportunidades, fortalecer vínculos e ajudar a construir perspectivas para o futuro.
No Instituto Ramacrisna, as ações de prevenção e cuidado com a saúde mental vão além do Setembro Amarelo. Ao longo do ano, alunos, aprendizes e colaboradores contam com atendimento e acompanhamento psicológico, além de iniciativas que estimulam o diálogo, a escuta e a identificação de sinais de alerta.
Em 2025, foram realizados 704 atendimentos psicológicos a funcionários, um crescimento de 111% em relação ao ano anterior. Entre alunos e aprendizes, foram 807 atendimentos no mesmo período.
O cuidado também está presente entre os colaboradores. Realizado anualmente, a dinâmica do “Amigo Anjo” propõe uma semana de gestos anônimos de carinho, com mensagens, cartas e outras formas de demonstrar atenção a um colega. A iniciativa transforma o ambiente de trabalho em um espaço de acolhimento e reforça a importância de perceber, ouvir e cuidar uns dos outros.